Eu por eu mesma
Mineira de Belzonti, 25 verões e 24 primaveras, mulher que cria, moça que descobre, menina que brinca e às vezes também chora. Uma busca aqui, um tropeço ali, uma descoberta acolá. Caminhando... Abertura a novos ares, passo a passo. Escrever é minha válvula de escape e um grande prazer.
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Será que dá para homem lavar, passar, cozinhar sem parecer exceção?
Será que dá para mulher não lavar, não passar, não cozinhar sem ser exceção?
Será que dá para continuar usando a roupa da estação passada?
Será que dá para dizer "bom dia" para as pessoas na rua sem parecer cantada ou loucura?
Será que dá para continuar acreditando que existe certeza mesmo ouvindo a professora na faculdade dizer que  "a certeza é psicótica", aliás: como ela tem certeza disso?
Será que dá para conversar sem ter que olhar para o relógio?
Será que dá para reclamar direitos sem ser taxado de revolucionário ou chato?
Será que dá para ser sincero sem ser ríspido e dizer que não gostou sem que o outro entenda como ofensa?
Será que dá para questionar a ordem vigente ou acabamos dando rodeios e caímos no "mais do mesmo"?
Será que dá para fazer perguntas mesmo que elas não tenham respostas claras, mesmo que elas nos despertem uma dorzinha lá no fundo, dizendo: "precisa ser diferente"?


Ou continuamos a defender que só façamos perguntas de ordem prática - qualquer outra classe de questões sendo considerada utopia?
Ou continuamos empurrando com a barriga e outras partes mais do corpo, da mente, da alma?
Ou continuamos acreditando que alguém decide o que é moda e não se questiona?
Ou continuamos a defender o privado enquanto o público que se lixe, que se dane, que se exploda - desde que não seja no meu quintal?
Ou continuamos extasiados frente a tv vendo mais uma trama de intrigas, maldades acreditando que o mundo é assim e ponto final?
Ou continuamos comprando personalidade na vitrine do shopping mais próximo?
Ou continuamos a tornar nossa bunda quadrada (e cabeça idem) vendo a vida passar, esperando a próxima eleição para irmos mais uma vez "p" da vida votar para "uma corja que nada faz" - com o nosso consentimento?
Ou continuamos a criar meninos machistas?
Ou continuamos de cara amarrada, fechada, trancada e lacrada para evitarmos contato humano?
Ou fazemos de conta que tudo vai bem?
Ou desistimos de tudo de vez?



- Enviado por: Juliana devaneando às 18:22
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