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Mineira de Belzonti, 25 verões e 24 primaveras, mulher que cria, moça que descobre, menina que brinca e às vezes também chora. Uma busca aqui, um tropeço ali, uma descoberta acolá. Caminhando... Abertura a novos ares, passo a passo. Escrever é minha válvula de escape e um grande prazer. Visite também meu blog de artesanato http://bonequinhasdluxo.zip.net |

Como boa mineira que sou já tomei muito caldo na vida...
Não! Não estou falando de caldo de feijão nem de mandioca – embora também já tenha tomado muito destes!
Estou falando dos caldos que já tomei no mar, daqueles que fazem entrar areia e sal por todos os buracos do corpo! A onda vem, a gente se desespera, ela quebra em cima de nós e lá vamos nós, engolindo sapo, digo, água!
Vixi! Como tenho história pra contar! (E como existem testemunhas para contar detalhes!!! Hihihi!!!)
Mas o engraçado é que aprendi uma lição importante com meus amigos mais experientes em lidar com o imenso mar: o segredo está em entrar na onda.

Tentar fugir dela ou começar a se debater só faz com que a gente se machuque.
Entrar na onda, por incrível que pareça, é uma opção para se proteger. Tá certo que a gente pode acabar indo com ela adiante demais e se ralando inteiro na beira da praia, mas as possibilidades de se encher de sal e areia e engolir um bocado de água até pelo umbigo são bem maiores se resistimos.
A onda vem, a gente a acompanha, aproveita seu impulso para pular, sentir o corpo flutuar... E ela passa...
Na vida tenho percebido movimentos parecidos, em que quanto mais resisto, mais arde, mais sou invadida, mais perco o controle. Deixar a onda passar, descobrir que nisso que chamo de crise posso descobrir coisas novas que podem ser até muito encantadoras... Descobrir...
Ah, moça, deixa a onda passar. Quando você está no mar, correr, se encolher, se debater não adianta. O jeito é deixar a onda passar, ir aprendendo a mergulhar e curtir os balanços e as mudanças de postura a que o mar nos convida. Água é fluida, não obedece ao nosso insistente gesto controlador.
Tá certo, tá certo, nunca se sabe qual a força da onda que vem chegando. Tá certo, nem sempre é seguro o balanço das águas. Mas, isso justifica paralisar o corpo? Não seria essa dúvida o móvel para aprender a enfrentar as ondas, já que se está inevitavelmente ali diante delas?
Esse recado é pra mesma moça do post anterior, a moça que dentro do peito ainda sente locomotiva, mas pelo menos tem tentado aprender a enxergar – ao menos enxergar – seus medos... Aprendendo...
Eu tenho medo de água, medo de altura, medo de liberdade, medo de solidão, medo de tanta coisa, que se não olho pro tamanho desse medo, ele acaba ficando maior e brincando de esconde-esconde comigo. E quem acaba perdendo?
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Postado por Juliana - moça longe de ser surfista, mas também perdendo a vocação para tomadora de caldos!
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