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Mineira de Belzonti, 25 verões e 24 primaveras, mulher que cria, moça que descobre, menina que brinca e às vezes também chora. Uma busca aqui, um tropeço ali, uma descoberta acolá. Caminhando... Abertura a novos ares, passo a passo. Escrever é minha válvula de escape e um grande prazer. Visite também meu blog de artesanato http://bonequinhasdluxo.zip.net |


“Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta”
(Trecho da música “Alma Nua”, de Vander Lee)
Ah, como essa música traduz o que sinto aqui dentro... Vontade de explodir num canto sofrido, dizer a mim mesma que posso errar, que posso ser artigo indefinido. Que posso saber menos, sem por isso me tornar menos. Que posso me ver impotente, que posso chorar, que posso me encolher. E posso entender quando as ações saem tortas, desajeitadas. Dizer que posso lidar com minha imperfeição de maneira verdadeira, o que só me fará grande, por ser eu mesma.
Sem normas externas, sem máscaras.
E ser. Simplesmente.
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Se posso escolher entre sentir o espinho ou perfume da rosa, que venha o aroma. Mas se o espinho me convida a despertar a sensibilidade, que eu possa apreender a experiência.
Posso sempre escolher, por mais que a visão esteja meio turva e cristalizada, como um dado viciado, que sempre mostra a mesma face. Posso escolher não só entre o perfume ou o espinho, mas também como ver cada elemento, como recebê-lo. Já que rosa é espinho e perfume, no entanto é mais do que só isso (é cor, é textura, é símbolo, ...) e muito mais do que qualquer uma dessas partes em separado.
Novas respostas são sempre possíveis, porém nem sempre mais cômodas que nosso lugar comum, que nossa faixa arranhada do velho disco de vinil. E sempre existem ganhos em um ou outro ponto: música que se repete tem a vantagem da segurança de se saber a próxima palavra, faixa nova é desafio que ventila os ouvidos. Velhas faixas em velhos discos enferrujam nossos ouvidos, nossos passos de dança, nosso cantar.
Mesmo não sendo tão simples, tenho percebido que compensa arriscar novas melodias. Novos ares para novos dias.

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Domingão... Assistindo entrevista de uma famosa dupla de irmãos, que são filhos de um cantor sertanejo, ouvi a pérola da garota da dupla: “Quem é bonito sofre preconceito”. Ela se referia a um bonitão ator global... (Tenho que ser cautelosa nessas horas! Vai saber se dá processo!!!). Até aí fiquei com a pulga atrás da orelha, mas tudo bem, porque depois a moçoila emendou, mais ou menos assim: “Quem é modelo e depois muda de profissão [como o bonitão global em questão] sofre esse tipo de preconceito”.
Mas no dia seguinte, trocando de canal, naquele milésimo de segundo que você ouve frases entre um canal e outro, ouço uma apresentadora loira, em outro canal, dizendo a mesma coisa – quem é bonito sofre preconceito – e quando vejo, quem ela estava entrevistando??? A mesma dupla do parágrafo anterior!!!
Vamos pensar numa situação do dia a dia. Uma entrevista de seleção para emprego. Chega uma mocinha com a aparência de cantora pop filha de cantor sertanejo e outra mocinha que não seja nem tão cheia de rímel, nem tão cheia de predicados embelezadores... Quem sofre preconceito? Aquela que chega suada, por não ter dinheiro nem pra pagar a passagem pra chegar à entrevista ou a que está impecavelmente alinhada? Quem sofre preconceito afinal, quem se veste com grifes ou quem usa tênis surrado? Quem se vê anulado, quem se vê isolado do que a sociedade considera bacana, chique, importante?
Pode ser que eu esteja equivocada, pode ser que no mundo da cantora pop e da apresentadora loira realmente as coisas ocorram como elas disseram... Mas no mundo da maioria pobre desse país, quem sofre preconceito é aquele que não atende aos padrões. Padrões impostos pelo mundo onde essas moças aí vivem. Aliás, até onde sei vivemos num mesmo mundo, apesar das diferenças gritantes. Apesar de o sutiã de uma dessas moças custar o valor do salário mínimo. Apesar de a feia pobre só de ser pobre ser mais feia e sofrer mais preconceito: afinal, ser mulher, pobre e feia é demais pra esse mundo loiro e pop dar conta de suportar.
Nada contra as loiras, nem contra as pops. O problema é simplicar demais as coisas. O que cai em pré-conceito, afinal se não sei, formulo conceitos que não condizem com a realidade.
Será que tô ficando maluca? Espero não estar sendo muuuito preconceituosa!
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