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Mineira de Belzonti, 25 verões e 24 primaveras, mulher que cria, moça que descobre, menina que brinca e às vezes também chora. Uma busca aqui, um tropeço ali, uma descoberta acolá. Caminhando... Abertura a novos ares, passo a passo. Escrever é minha válvula de escape e um grande prazer. Visite também meu blog de artesanato http://bonequinhasdluxo.zip.net |

"Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá..."
(trecho de Mantra, música de Nando Reis e Arnaldo Antunes)
É preciso silêncio para que nossa voz fale em nós.
O mundo externo tem barulho demais, ofertas demais, imagens demais, promessas demais, tem pessoas demais e solidão demais. É incrível que em meio a tanta gente nos sintamos sós. É incrível que ao estarmos sozinhos em nosso quarto prefiramos ligar o som, a tv, procurar qualquer subterfúgio para não estarmos conosco mesmos, para não estarmos na companhia do que fala dentro de nós.
Vendo o tudo que aquilo está fora de nós nos oferece e o nada que, na verdade, isso nos traz, começamos a despertar a única verdade de nossa vida: a nossa consciência. É nela que podemos ser. É nela que está a nossa vida. Por mais que esqueçamos disso em meios às luzes que piscam, as marcas que gritam nesse mundo de nadas.
É preciso voltar-se para dentro para que vejamos o que realmente temos e o que realmente somos.
Somos mais que “lã, cetim, veludo”.
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Ei! Olha pra mim... Se for difícil demais me encarar, ao menos escute um pouco o que tenho a dizer.
Não dá mais para viver assim sufocada, debaixo de tanta indiferença. Por que você ignora o que eu sinto, o que eu desejo? Já chorei, já pedi colo, já briguei, já lutei, já desisti. E fui ficando quietinha aqui em meu canto, nem sei por quanto tempo... Debaixo de tanto pó, tanta poeira, tantas lembranças.
Hoje resolvi dizer. Talvez porque a dor tenha doído mais forte, talvez porque sonhos tenham se erguido aqui dentro... Ou quem sabe, somente hoje, depois da chuva, você tenha se deixado permear pelo que tenho tentado dizer a tanto tempo...
Você teve vontade de se molhar, de brincar debaixo da chuva, eu sei. Você também quis se molhar para poder chorar sem que vissem e assim fingir ser dança, o que seria um banho da alma cansada. Eu sei.
Sou aquela que brincava em outras chuvas e fingia ser cachoeira a enxurrada na escada do quintal. Sou aquela que escrevia cartinhas carinhosas para as pessoas a quem amava. Sou aquela que se permitia mil sonhos e mil aventuras. Também sou aquela que chorou sozinha e que de tanto sozinha chorar, sozinha começou a ser. E você me trancou, sem saber o que fazer quando eu pedia mais e não podia ter. E você resolveu ignorar o que eu tinha a dizer sobre medos, frustrações e vazio. E acabou ignorando junto o que eu podia ensinar sobre leveza, sorrisos, cartas e brincadeiras.
Sou aquele olhar que você evita no espelho, sou aquela menina que vive aí dentro, que deseja somente um abraço seu para que juntas possamos trilhar esse caminho cheio de encontros e desencontros, tendo a certeza de que somos fortes porque estamos juntas. Aceitar uma à outra, aceitar que somos uma só e que podemos crescer juntas.

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